(Atualizado em 28/01/2026 - 18h20)
Em meio a questionamentos de parlamentares europeus ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, o Congresso Nacional discute formas de acelerar a tramitação da proposta e garantir que a criação de uma zona de livre comércio possa ser implementada no Brasil.
Entre as estratégias, parlamentares apostam na possibilidade de que o acordo tenha uma análise rápida, indo direto ao plenário da Câmara assim que houver o aval da representação brasileira que faz parte do Parlasul (Parlamento do Mercosul).
O caminho agilizaria a votação do texto, conforme explica o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS). Em entrevista ao R7, o parlamentar demonstrou otimismo com a aprovação do acordo no Brasil e considera que o tratado deve ocupar o centro da agenda internacional do Congresso em 2026..
Segundo Trad, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que vai decidir com líderes partidários se concede caráter de urgência ao tratado, o que dispensaria a análise da proposta por comissões e permitiria a votação já em plenário.
Apesar de o acordo já ter sido oficialmente assinado por autoridades dos dois blocos econômicos, a implementação depende da aprovação dos parlamentos de cada país e de represenanets europeus para entrar em vigor.
Assim que o governo enviar os documentos relativos à proposta ao Congresso, a Câmara deve começar a análise da matéria. A aposta de Trad é de um desfecho, tambem no Senado, nos próximos meses.
“Eu penso que a gente tem o dever de esgotar esse assunto nesse semestre antes de entrar para o recesso [do meio do ano]”, opinou Trad.
O senador também confirmou conversas para que o Congresso envie uma comitiva à Europa para estreitar as discussões com parlamentares europeus e garantir a efetivação do acordo. A proposta partiu do presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Jorge Viana.
A data da missão será definida após conversas com Motta e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), explicou Trad.
“Nós estamos esperando o recesso parlamentar retornar para discutir com eles a respeito dessa oportunidade. Se devemos ir agora ou se a gente tem que esperar os ânimos se acalmarem para a gente poder fazer algo mais propositivo”, comentou.
Na entrevista, Trad afirmou ainda que o Senado acompanhará iniciativas de apoio ao fim do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, que ainda afeta alguns produtos. Ele também avaliou que o país deveria aceitar o convite do presidente americano, Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz em Gaza.
R7 — Qual a importância dos avanços no acordo entre Mercosul e União Europeia, após 26 anos de espera?
Nelsinho Trad — Um acordo dessa natureza está sendo celebrado como o maior acordo entre blocos de países do mundo. E nós estamos inseridos nele. As nossas exportações, principalmente para o agro que vai para a comunidade europeia, batem na casa dos US$ 26 bilhões.
Com esse acordo sendo efetivado, a projeção de curto prazo já bate em US$ 30 bilhões, ou seja, um acréscimo de US$ 4 bilhões. É algo muito propositivo e positivo para quem está envolvido nele. Por isso que nós estamos defendendo tanto essa questão, por defender também o setor do agronegócio.
R7 — A participação do Brasil depende da aprovação do Congresso, e o senhor tem reiterado a expectativa de ser uma votação rápida, tanto na Câmara quanto no Senado. Como está o alinhamento em cada Casa?
Nelsinho Trad — Primeiro, a mensagem está sob a guarda do Executivo. A partir do momento em que ele remeter ao Congresso, vai cair sob a tutela do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, que já me disse que vai chamar uma reunião de líderes para poder dar um caráter de urgência a esse projeto, evitando assim que ele passe em repetidas comissões pertinentes.
Ao ser votado no plenário, ele vai para o Senado, e o presidente Davi Alcolumbre também já deu para mim a confirmação de que vai dar celeridade na sua tramitação. De tal sorte que nós estamos esperando a aprovação no 1º semestre.
R7 — Há alguma estratégia mais específica, pelos desafios do ano eleitoral? O senhor comentou recentemente sobre a possibilidade de uma subcomissão. Como ela funcionaria?
Nelsinho Trad — Tão logo se retorne os trabalhos, na Comissão de Relações Exteriores, nós vamos fazer essa proposição por entender que essa subcomissão tem a legitimidade de acompanhar a sua tramitação [do acordo Mercosul-UE], procurar acelerar onde tiver parado e ver os desdobramentos de pontos sensíveis que porventura pode ter, tanto no setor da indústria e quando no setor do agro.
R7 — Há alguma definição sobre a composição desse grupo de parlamentares?
Nelsinho Trad — Não. Nós vamos ver qual é a precedência que se tem no regimento a respeito dessa iniciativa, procurar formá-la com um grupo de senadores pertinentes a cada caso. Por exemplo, quem tiver uma interlocução com o agro vai fazer parte. Quem tiver uma interlocução com a indústria vai fazer parte. Tudo no sentido de ter condições de sanar dúvidas e encaminhar soluções.
R7 — O senhor se reuniu, na semana passada, com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Ficou definido algum cronograma de quando o acordo será enviado pelo governo ao Congresso?
Nelsinho Trad — A gente notou da parte do vice-presidente a intenção de acelerar o máximo possível essa proposta. Então, na minha avaliação, até o final desse mês, ela já deve estar remetida ao Congresso Nacional.
R7 — E quais os caminhos quando chegar ao Congresso?
Nelsinho Trad — O presidente Hugo Motta, ao receber a mensagem, pode dar um caráter de urgência a ela. Dando um caráter de urgência, ela pode ir ao plenário, suprindo a tramitação nas comissões. Isso vai depender do colegiado de líderes e do presidente da Câmara.
Não tendo essa supressão, a primeira comissão pertinente é o colegiado do ParlaSul. Depois, comissão de Justiça e, por último, Relações Exteriores e Defesa Nacional. Isso na Câmara. Depois, plenário [da Câmara] e, depois, Senado.
R7 — Dá para ser aprovado no 1º semestre?
Nelsinho Trad — Eu trabalho exatamente com esse tempo cronológico. Eu penso que a gente tem o dever de esgotar esse assunto nesse semestre antes de entrar para o recesso.
R7 — E há algum desafio frente à discussão no Brasil? Ou o impasse está maior para o lado de fora?
Nelsinho Trad — Não vejo nenhum problema no nível do parlamento brasileiro, tampouco tenho ouvido dos outros parlamentos da América Latina. Há uma perspectiva muito favorável que a gente aprove isso, cada um no seu país.
R7 — Quais as estratégias em relação ao parlamento europeu? Há possibilidade de alguma viagem para negociação?
Nelsinho Trad — Essa ideia partiu do presidente da Apex, Jorge Viana, com o presidente do Senado e o presidente da Câmara. Nós estamos esperando o recesso parlamentar retornar para discutir com eles a respeito dessa oportunidade. Se devemos ir agora, ou se a gente tem que esperar os ânimos se acalmarem para a gente poder fazer algo mais propositivo em relação à missão que vai a Europa.
R7 — A viagem seria com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre?
Nelsinho Trad — A gente tem que ver a oportunidade correta de se fazer isso. Ao que nos consta, os ânimos [no parlamento europeu] estão muito acirrados. Há uma divisão equilibradíssima, diferença de cinco votos de um lado para outro, porque no total deu 334 a 324 [o placar pela judicialização do acordo]. Cinco votos que passa para lá já vai dar empate. Então, a gente tem que procurar ver o momento certo para poder fazer isso.
Eu vou discutir isso com o presidente do Senado e com o presidente da Apex. A gente tem falado frequentemente, estamos esperando retornar o recesso para intensificar as articulações pessoais.
R7 — O senhor encontrou a embaixadora da UE, Marian Schuegraf, no Senado. Ela deu algum parecer sobre a posição de parlamentares europeus?
Nelsinho Trad — Da parte dela, que é uma pessoa muito proativa, [ela deu um parecer] no sentido de a gente aparar aquilo que precisa ser aparado, afim de não perder essa oportunidade de assinar esse acordo. Ela é de origem alemã, e a Alemanha está favorável ao acordo. Então, a gente tem que aproveitar essa circunstância ao nosso favor.
R7 — Como o senhor vê a decisão de parlamentares europeus em enviar o acordo para revisão na Justiça Europeia?
Nelsinho Trad — A gente é mais acostumado no parlamento com as divergências. Às vezes vem uma coisa na contradita, assusta a sociedade, assusta vocês da imprensa, mas a gente vê com naturalidade. A gente tem que encarar isso, procurar superar e tocar para frente.
R7 — Como estão as previsões para 2026? Estamos próximos ao retorno do Congresso. Tem alguma outra prioridade ligada à Comissão de Relações Exteriores?
Nelsinho Trad — Brasília sempre é uma confusão atrás da outra, né? Você nunca pode prever o que vem. Agora, a ordem do dia, realmente, é a questão do acordo. São mais de 26 anos esperando. Temos que botar isso para andar, e é o que nós vamos fazer.
R7 — Outra expectativa é em relação às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. O senhor participou de conversas para rever o tarifaço no ano passado. Vai seguir nesse trabalho em 2026?
Nelsinho Trad — A gente está sempre com o radar ligado e atento. Aquilo que vier prejudicar os setores do Brasil, dos nossos empresários, da economia, do agronegócio, nós vamos estar na linha de frente para poder defender. Então, é aguardar as movimentações para a gente ver como que isso vai evoluir.
R7 — Há uma expectativa ligada à resposta brasileira para o Conselho de Paz em Gaza. Os Estados Unidos fizeram esse convite. O senhor acha que o país deveria aceitar?
Nelsinho Trad — Eu acho que o Brasil tem um DNA pacífico. É o país que, sempre quando tem um conflito, quer intermediar para promover o entendimento e a paz.
Se os termos forem esses, o sentido da busca [pela paz], sem nenhum outro interesse oculto nessa questão, eu penso que o Brasil deveria participar.
Fonte: noticias.r7.com
› FONTE: 24 Horas No Ar (24horasnoar.com.br)