Uma das construções mais emblemáticas da Suécia mudou de endereço. A igreja luterana de madeira de Kiruna, no extremo norte do país, foi transportada por cerca de cinco quilômetros para escapar do risco de desabamento causado pela expansão da maior mina subterrânea de ferro da Europa.
A operação mobilizou a cidade. O templo de 672 toneladas e 40 metros de altura, inaugurado em 1912 e considerado um dos edifícios mais belos do país, foi colocado sobre reboques especiais, controlados remotamente. O comboio avançou a meio quilômetro por hora, em uma viagem que durou dois dias.
O transporte foi transmitido ao vivo. A televisão sueca acompanhou a transferência com dezenas de câmeras, e a chegada foi celebrada com apresentações musicais. Pelo menos 10 mil pessoas acompanharam o deslocamento. O rei Carlos Gustavo esteve presente e conversou com Sebastián Druker, técnico argentino responsável pelo controle remoto dos reboques.
Houve bênção religiosa. A viagem foi iniciada com orações do bispo Åsa Nyström e da vigária Lena Tjärnberg. Para levantar a estrutura, engenheiros escavaram o terreno ao redor e posicionaram vigas de sustentação antes de içar o prédio com macacos hidráulicos. O custo foi milionário. Apenas o deslocamento da igreja custou cerca de 52 milhões de dólares (R$ 285 milhões). A mineradora estatal LKAB, que encomendou a construção original em 1912 e agora financiou a mudança, justificou a operação como parte do projeto de realocação de toda a cidade. A transferência faz parte de um plano maior. Desde 2004, Kiruna está sendo deslocada para longe da mina, após o solo do centro histórico apresentar rachaduras e risco de afundamento. No total, cerca de 6 mil moradores e 3 mil casas estão sendo movidos para uma nova área, inaugurada oficialmente em 2022. Nem todos estão satisfeitos. "Talvez a LKAB não tenha interpretado bem o ambiente quando destruiu toda a cidade e depois organizou esta grande festa de rua para as pessoas", criticou Magnus Fredriksson, apresentador de um podcast local. Seu colega Alex Johansson também condenou o projeto. "É como se dissessem: &39;Aqui está um pedacinho de espaço para Kiruna. Agora vamos continuar arrecadando bilhões&39;", disse. O impacto ambiental preocupa. A mineração, que já atinge 1.365 metros de profundidade, ameaça florestas, lagos e as rotas de migração das renas, fundamentais para a subsistência do povo indígena Sami. Ativistas alertam que a expansão pode comprometer a cultura e a vida tradicional da Lapônia. Apesar das críticas, a cidade celebrou o feito. A "grande caminhada da igreja", como foi batizada pela mídia local, terminou sem incidentes, consolidando um dos maiores desafios de engenharia já realizados na região. A previsão é que a Kiruna Kyrka seja reaberta ao público em seu novo endereço no fim de 2026. Fonte: noticias.uol.com.br
› FONTE: 24 Horas No Ar (24horasnoar.com.br)