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Governo Lula aposta em secretários contra debandada de ministros em 2026

Publicado em 16/08/2025 Editoria: Brasil sem comentários Comente! Imprimir


Governo Lula aposta em secretários contra debandada de ministros em 2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala à imprensa ao lado do secretário-executivo, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala à imprensa ao lado do secretário-executivo, Dario Durigan Imagem: Washington Costa/MF

Mais da metade dos 38 ministros do presidente Lula (PT) deverá deixar o governo até o final de março do ano que vem para concorrer a diferentes cargos nas eleições de 2026.

O que aconteceu

Os secretários-executivos deverão assumir as duas principais pastas do Planalto. Com as saídas de Fernando Haddad e Rui Costa, Dario Durigan e Miriam Belchior deverão assumir a Fazenda e a Casa Civil, respectivamente.

As escolhas dos secretários vão da confiança à falta de nomes. Ministra do Planejamento de Dilma, Miriam é vista como um dos melhores quadros técnicos de todo o governo. Já Durigan, que veio do setor privado, caiu nas graças de Haddad e de Lula.

Historicamente, anos de eleições gerais são mais difíceis de preencher vagas nos ministérios. Tanto a maioria dos possíveis sucessores devem concorrer a cargos quanto poucos nomes de maior relevância se interessam em ocupar vagas que devem durar poucos meses, mesmo que Lula seja reeleito.

O prazo de descompatibilização é 31 de março. Pela lei, qualquer ocupante de cargo público tem de deixar a função se quiser tentar outra cadeira. Em caso de reeleição, como a de Lula, a saída não é necessária.

Troca na Fazenda e na Casa Civil

Rui deverá se candidatar ao Senado. Governador da Bahia por oito anos, ele abriu mão da vaga em 2022 por causa do xadrez local: não só quis garantir a aliança com o PSD, dando apoio a Otto Alencar, eleito, como alçou o então secretário da Educação, Jerônimo Rodrigues (PT), como sucessor —se ele deixasse o cargo, o vice, João Leão (PP), ficaria com a máquina e se tornaria candidato natural à reeleição.

Já Haddad enfrenta um cálculo mais complicado. Sua saída é dada como certa, mas não se sabe para onde. Aliados dizem que ele está mais propenso a tentar uma das duas cadeiras no Senado em São Paulo, mas há petistas que defendem que ele tente a vaga de governador.

É uma avaliação que deve ser feita mais para a frente e inclui o futuro de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Caso o atual governador de São Paulo decida enfrentar Lula nacionalmente, abandonando a reeleição, petistas dizem que as chances de Haddad crescem.

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Neste caso, também aumentaria o coro pelo retorno do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que já governou o estado em quatro mandatos pelo PSDB. O governo paulista é também o sonho antigo de outro ministro, Márcio França (PSB), do Empreendedorismo, que chegou ao segundo lugar em 2018 e cedeu a candidatura a Haddad em 2022, partindo para o Senado, onde foi derrotado pelo astronauta Marcos Pontes (PL).

Maioria deve tentar a Câmara

A maioria dos petistas deve tentar a Câmara. Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Anielle Franco (Igualdade Racial), Alexandre Padilha (Saúde), Luiz Marinho (Trabalho) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) saem pelo Paraná, pelo Rio de Janeiro e os três últimos por São Paulo, respectivamente.

Já Márcio Macêdo (PT), da Secretaria-Geral, deve se alçar ao Senado por Sergipe. Eleitos em 2022 para oito anos na Casa, Wellington Dias (PT) e Camilo Santana (PT) devem seguir no Desenvolvimento Social e na Educação. Sem filiação partidária e interesses eleitorais, José Múcio (Defesa) e Ricardo Lewandowski (Justiça) também devem ficar.

No centrão, todos desembarcam. As saídas tantas vezes anunciadas ou pedidas pelos partidos de centro-direita que têm maioria de oposição a Lula, como PP e União Brasil, devem ocorrer por causa da eleição.

Os deputados já eleitos devem tentar novo mandato: Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos, deve sair em Pernambuco; Celso Sabino (União), de Turismo, pelo Pará; e André Fufuca (PP), pelo Maranhão. Jader Filho (MDB), de Cidades, deverá tentar o primeiro mandato na Câmara pelo Pará, e André de Paula (PSD), da Pesca, quer voltar à Casa por Pernambuco.

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Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, ainda não definiu. Aliados dizem que é provável que ele tente voltar ao Senado por Minas Gerais, onde foi derrotado em 2022 por Cleitinho Azevedo (Republicanos), mas não negam que ele sonha com o governo. O nome preferido de Lula, no entanto, é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD), que tem resistido à ideia.

Senador eleito em 2022, Renan Filho (MDB) tentará voltar ao governo de Alagoas. Nome mais popular do estado, ele deve reassumir o cargo que ocupou por oito anos e ajudar na reeleição do pai, Renan Calheiros (MDB), no Senado.

Lula concorda com saídas

Petistas dizem que ficam no governo se Lula pedir, mas o presidente incentiva as saídas. Como tem deixado claro publicamente, o presidente está preocupado com o desempenho da base em 2026.

Com o crescimento da direita, o petista quer tentar que a situação não piore. Diferentemente dos dois primeiros mandatos, Lula teve de governar com minoria desde 2023 e teme que, com a mudança da maioria do Senado, Casa em que tem mais tranquilidade do que na Câmara, a situação fique ainda mais complicada.

O presidente também quer palanques cheios. Por mais que já conte que alguns partidos não estarão com ele na eleição, como União Brasil e PP, estima que seus ministros do centrão podem, sim, ser um elo com um eleitorado que se afastou dele no último ano, em especial no Nordeste e no Norte.

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E o vice?

Parte dessas saídas depende do futuro vice. Setores do governo defendem que Alckmin, também ministro da Indústria e Comércio, faça uma dobradinha com Haddad em São Paulo: um vá ao Senado, e o outro, ao governo.

Alckmin tem resistido. Aliados dizem que ele gosta tanto da função de vice quanto do ministério e que a relação com Lula está cada dia melhor. Além disso, as recentes negociações no combate ao tarifaço dos Estados Unidos o fortaleceram.

Auxiliares dizem que Lula não vai impor nada ao vice, mas a situação é delicada. O governo sabe que terá dificuldade em formar uma nova frente ampla e tem buscado apoio de partidos mais robustos: oferecer uma vaga na chapa é tentador para qualquer sigla.

O MDB entra neste debate. O partido tem ventilado pelo menos três nomes para o cargo: a ministra Simone Tebet (Orçamento), o governador do Pará, Helder Barbalho, e Renan Filho.

Com interlocução do agro, Tebet ficou em terceira em 2022 e é mulher, o que consolidaria ainda mais um eleitorado que já é propenso a Lula. Caso não aconteça, ela pode concorrer ao Senado por Mato Grosso do Sul, seu estado, onde tem tido resistência bolsonarista pela ligação com Lula, ou por São Paulo, caso veja viabilidade.

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Helder e Renan seriam lideranças jovens. De famílias políticas e de centro-esquerda, são populares em seus redutos eleitorais —o que pesa, no entanto, é que nem Pará nem Alagoas têm grande eleitorado. Helder deixa o governo e deverá ser candidato ao Senado.

Aliados de Lula dizem que essa ideia de mudança já tem sido tratada com o presidente e com Alckmin há algum tempo. O petista já disse a pessoas próximas que não imporia ao vice algo que fizesse com que ele se sentisse desrespeitado, mas, no Planalto, está claro que o tom a ser adotado é formar uma aliança que garanta a vitória, custe o que custar.

Fonte: noticias.uol.com.br

 

› FONTE: 24 Horas No Ar (24horasnoar.com.br)


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